11 dezembro, 2007

Eu consegui!

Desculpa ai, mas eu tenho que contar que, depois de algumas renúncias e mudanças significativas, agora sou uma mestranda. E como sou audaciosa (já me disseram muito isso), vou tentar um orientador italiano, discípulo do Bobbio, para minha dissertação. Sabe, aprendi que a gente não tem o direito de mitigar o tamanho dos nossos sonhos pelo medo de fracassar. Somos responsáveis por cada passo no caminho, e por cada segundo que perdemos em pensarmos que não somos capazes.

2008 parece que vai ser mesmo muito diferente e especial. Começando pela visita à "Cidade Eterna", onde vou fazer grandes descobertas. E pelo momento pessoal sublime que estou a vivenciar, único e incomparável, no qual me sinto encontrando meu espaço.

A gente pode, é só querer!

10 dezembro, 2007

Espírito de Natal


Todo ano é a mesma coisa, o merchandising começa já no fim de outubro. As ruas, os shoppings, as praças, os salões de beleza lotados, as milhares de confraternizações agendadas. E por mais que vejamos milhares de luzinhas coloridas piscando ao nosso redor durante mais de sessenta dias, não adianta: ele só chega na hora certa.

Foi ontem, quando já preocupada por não ainda não o haver sentido (às vezes ele aparece um pouquinho mais cedo), que percebi alguma coisa estranha acontecendo comigo. Foi assim, simples, vendo um comercial de panetone na TV. A vontade de ouvir sinos, de ver os presentes embaixo da árvore, de escrever uma cartinha para o bom velhinho, de cantar "noite feliz", de abraçar, muito, até quem eu não conheço. Parecia que eu tinha voltado a ser criança - talvez só mesmo uma criança consegue o viver verdadeiro sonho do natal.

Daí, pensei a imaginar que, quanto mais o tempo passa e quanto mais afazeres tomam conta da nossa vida, menos nos damos a chance de aproveitar alguns sentimentos bons que vêm em algumas datas inesquecíveis, que embora se repitam a cada ano, têm suas peculiaridades e suas emoções próprias.

Por isso abra sua porta, sua janela, seu sorriso, e deixe o espírito do natal entrar e contagiar sua vida com sua mensagem de amor. Para isso não há tempo nem idade. Não importa se cedo ou tarde. O importante é que ele chegue, e que você se permita encontrá-lo.

22 novembro, 2007

Recomeço

O gosto do dever cumprido não tem preço, bem como a sensação de que, a partir de agora, inicia-se um tempo de renovação das esperanças.

Nunca houve algo assim, em toda a história.

16 novembro, 2007

Filosofia



Minha "nova" turma de "velhos" amigos: Aristóteles, Rousseau, Montesquieu, Kant, Marx, Bobbio...

Daí, pensando em ir à Itália para visitar, entre outras pessoas ilustres, o último, descobri que saiu dessa para uma melhor em 2004. Uma pena, mesmo. De qualquer jeito, meu final de semana vai ser todo de companhia filosófica e de pensamentos pra lá de confusos. E olha que, do jeito mais estranho, estou me divertindo muito.

25 outubro, 2007

Comilança

Não abro a geladeira de madrugada. As latas de leite condensado nem chegam mais perto dos meus dedinhos longos antes de irem ao lixo. Minha barriga ronca por um doce e eu bebo água para enganá-la. Laranja com bagaço entrou no cardápio. O que é isso? É a minha calça 36 com cheiro de mofo, ansiosa pelo mês de dezembro.

12 outubro, 2007

Post Oculto

E eu agora que, como se não bastasse o trabalho aos montes, o curso de italiano e a preparação para o mestrado, resolvi desprender esforços em prol da oficina de contos. Coisa de quem tem um faniquito dentro da cabeça, e outro na mão.

09 outubro, 2007

Quanto tempo dura um tempo?

Esse negócio de tempo é uma teoria absurda que alguém inventou enquanto brincava com vidrinhos de passar areia. Não existe um tempo igual pra todo mundo. Tempo é uma coisa pessoal, humana, até fisiológica. Cada um tem seu tempo, com seus segundos demorando mais ou menos. Algumas horas demoram dias, meses. Alguns anos demoram um simples estalar de dedos. Então, quem foi mesmo que inventou essa história de que tempo é um fator exato? Quem disse que cada relógio gira na mesma velocidade, numa circunferência do mesmo tamanho? E os digitais, que seguem uma regra mecânica totalmente oculta, quem garante que eles seguem a mesma duração matemática? Na verdade, tempo é uma coisa que não existe. Nós é que fazemos as coisas acontecerem, passarem. Se nada acontece, não houve tempo. E, na verdade, não há duração igual dos instantes pra ninguém. O advento do tempo originou a espera. E esperar é um tormento. Por coisas boas, vem a ansiedade. Pelas ruins, o fatalismo. Ainda que as esperas tenham tempo certo, o tempo é incerto demais para elas. Ou seja, melhor não pensar que existe tempo, porque ele nos escraviza. Melhor entendermos que vivemos um instante constante, no qual somos agentes de nossa própria existência.

P.S. Não sei se perco o meu tempo falando nisso, mas é que se não tenho tempo mesmo...

26 setembro, 2007

O que seria da vida sem os bons poetas... que conseguem dizer o que a gente sabe mas não entende...

"Tornar o amor real é expulsá-lo de você para que ele possa ser de alguém"
(Nando Reis)

11 setembro, 2007

Gasta!

Inflacionamos a felicidade, é verdade. Ela se encontra por aí, banalizada, exposta em propagandas de campari, em outdoors de grandes grifes, em comerciais de pasta de dentes, em novelas mexicanas. Nenhuma felicidade real chega aos pés da que emerge desses conceitos urbanos. Talvez porque a única felicidade possivel seja, mesmo, a promessa de felicidade. Apesar da utopia, persite a definição real. Só é preciso saber encontrá-la.

28 agosto, 2007

Mari foi deixada... por uma ex e o golpe da barriga

Nem sei por que eu estou aqui escrevendo isso, mas espero concluir antes de ficar me questionando demais. Depois você imprime e rasga, por favor, pra ter certeza que existiu mesmo.
Passou apenas um mês (agora já quase dois) desde que você me deixou naquela noite fria, de sentimentos quebrados e de expectativas frustradas, e agora é que finalmente as coisas começam a vir à tona de forma mais real.
Fiquei sabendo da história da gravidez, do casamento às pressas, que confusão.
Que realidade tão antagônica com o homem centrado, planejador, romântico que conheci. Não sei se eu consigo acompanhar tantos acontecimentos que correm à velocidade da luz. Também não sei se tudo o que eu sinto é apenas decepção ou é muita preocupação mesmo. Preocupação com você. Sei que isso não foi programado na sua cabeça e tenho medo dos seus sentimentos assim, confusos. Você não teve tempo pra isso. Pode até parecer um sonho, olhando pelo lado bom da coisa, mas onde estão as certezas? Também acho que foi um golpe infantil (pra ser bondosa), você não merecia - me perdoe por achar isso, mas tenho esse direito, assim como todo mundo. Tenho pena, medo por você, por tudo que pode vir a acontecer como conseqüência. Tô com raiva também, porque as pessoas falam de você com pena, porque não pude te proteger disso, nem te alertar de coisas que eu sabia. Enfim, já aconteceu. Agora eu só espero que Deus possa consertar as coisas, só ele mesmo. Vou pedir muito isso pra minha santinha antes de dormir. E o pior é que ainda gosto de você como antes, com carinho... e tô muito chateada, não por mim, mas pela situação por tudo que eu imagino disso.
Te cuida. Descubra o que ainda tem que descobrir. E desculpa. Um beijo.

Nós e o Cajueiro

Estava dividindo com minha irmã uma lembrança incrível de nossa infância. Aos domingos, geralmente depois do almoço, íamos a uma lagoa perto de onde minha mãe nasceu para nadar em bóias, ou melhor, câmaras de ar que serviam de bóias, e em cima de troncos de árvores que flutuavam e nos serviam de cavaletes para pular na água, uma brincadeira divertida que nos cansava por todo o fim-de-semana e deixava nossos rostinhos rosados do sol. Não tínhamos mais que seis ou sete anos. E lá tinha um cajueiro cujos galhos espalhavam-se pelo chão, nos permitindo subir e descer por atalhos diferentes. Certa vez, escorreguei e fiquei pendurada num galho, segurando o corpo pelas mãozinhas frias de medo. Lembro que meu tio, que era quase da minha idade, me ajudou a subir de volta, alcançando minhas pernas. Acho que Deus coloca mesmo um anjo perto de cada criança para protegê-la, porque a gente não tinha noção de perigo. Fazíamos de tudo sem um pingo de medo, sempre em busca de uma nova aventura. Outra vez, a astuta da minha irmã inventou de fazer cocô dentro da lagoa, achando que ninguém ia ver. De repente, lá vai aquele negocinho boiando, carregado pela correnteza. Todo mundo morreu de rir, inclusive ela. Não fui eu, não fui eu!, gritávamos na maior algazarra. Outra coisa legal era soltar “pum” dentro da água, porque fazia bolhas. E a gente ria, mais do que qualquer criança no mundo. E assim, a gente era feliz, muito feliz, e nem sabia o quanto. Como foi bom lembrar disso, depois de tanto tempo....

14 agosto, 2007

Decepção

As pessoas por quem nos apaixonamos só existem mesmo dentro da cabeça da gente. Paixões são sempre mais irreais do que imaginamos. Ainda assim, confiando na margem de risco, alguns casos superam a expectativa de decepção.

Tenho uma grande amiga que diz que a gente não deve deixar de acreditar na bondade das pessoas, mas ao mesmo tempo, contraditoriamente, ela me ensina que quanto mais colecionamos decepções mais descrentes nos tornamos em relação aos outros.

Sabe, acho que todo mundo tem direito de ser o que quiser, de fazer as escolhas que achar convenientes, mas acho que ninguém tem o direito de desrespeitar os sentimentos alheios.

(...)

Só Deus sabe, mas estou mais feliz agora.
Entendo que existem caminhos melhores.
Estou trilhando o meu, faz é tempo, e olha que eu nem sabia.

19 junho, 2007

Fênix

Eu aqui, permanente em minha mansidão, desta vez não mais abobalhada, diria... destemida, confiante e algoz. Picos de pensamentos muito bem assimilados, mas medos erroneamente atormentados por incertezas que subitamente aparecem quando resolvo rever meus conceitos.

Não deveria ser, penso. Mas é, inconscientemente. Não depende do querer, tantas vezes.

Havia por aqui, há pouco, cinzas que não eram minhas, mas que eu até desejei que fossem por uns instantes. Cinzas são apenas restos do que acabou e não passam disso, de resto fúnebre de fuligem, que serve pra absolutamente nada, nada mais.

Queria ter um lixo, um arquivo morto, para que pudesse ser para mim algo desprezível como deve ser aquilo que passa. Mas parece que meus cigarros não se apagam, nem terminam. Em tantas vezes penso que jamais verei as cinzas dos medos intimamente não superados, das certezas incertas, porque não suficientemente acreditadas. E descubro que cinzas interiores podem voltar a ser fogo, atormentar e fazer muita fumaça. Simplesmente porque ainda havia alguma chama que impedia o fim, que cedo ou tarde seria absolutamente inevitável.

Moral da divagação: todas as crenças não passam de desejos até que o tempo transmutem-nas em vida, em mágoa... ou em fuligem. É tudo uma questão de tempo.

14 junho, 2007

Curtas

...
....

10 junho, 2007

Feriado. De quê, mesmo?

Subiu tudo do estômago para o meio da cabeça. Doeu, doeu, sem haver remédio para dar jeito. Para corroborar, aquela sensação de que haviam roubado meu chão e o resto da minha santa paciência. Nem a comida aguentou, segurou uns instantinhos mas também fugiu às pressas. A essa altura, sem aguentar tamanha pressão, já havia desmaiado sobre o sofá cheio de poeira. Não era sono, era cansaço. Dos filmes no quarto, da comida de geladeira e do vento silencioso na varanda. Era o marasmo que apodrecia meus neurônios e minhas veias, me deixando sem ar puro. E não havia ninguém, nem mesmo um despertador de celular carregado, para me acordar do pesadelo de estar viva e sentir nos ombros o peso de um fim-de-semana mais prolongado do que deveria ter sido.

04 junho, 2007

Não precisa mudar

"Se eu sei que no final fica tudo bem
A gente se ajeita numa cama pequena
Te faço um poema e te cubro de amor"

Agora eu passo o dia cantando isso...

30 maio, 2007

Sentimento

Tá cheio de borboletas na minha barriga.
É tão bom sentir essa sensação de novo...

29 maio, 2007

Nostalgia in "scriptum"

Prato de jantar com talher em cruz. Capuccino em pó dissolvido na água quente, farelos de pão em cima da mesa e pedaços de palito quebrados ao redor da xícara. Televisão ligada, e muda. Noite quente. Solidão inesperada.

Lá estava ela, orelhas retorcidas, folhas amareladas, em seu isolamento permanente na banquinha de centro. Esquecida, também.

Pegou. Soprou a poeira. Pôs em cima dos farelos de pão. Abriu na letra L.

Liana Borges, amiga da faculdade que facilitou sua vida nas provas de filosofia. Dr. Lauro Coelho, oftamologista que curou a catarata incurável da avó. Lasagneta, comida italiana para pedir e comer em casa. Lucas, riscou. Lavanderia. Lúcia Ester, professora de canto lírico. Leonardo Porco, azar da mulherada no estágio. Laura, Tia Laís, Padre Lino...

Nomes, endereços, números, contatos, fatos.
Na mesa de centro, borrados de tinta azul em papel amarelado, tão presentes quanto silentes.

Abriu o C, o J, o P. Conhecia mais gente do que imaginava. Estavam todos ali, eternizados, cheios de lembranças e histórias inesquecíveis.

Fechou. Por um instante, esqueceu a solidão. Foi para o quarto e guardou os presente-ausentes na gaveta de cabeceira. Ficou melhor, depois de sentir a multidão. Dormiu (...)

26 maio, 2007

Longe demais para viver

Foi como num sonho, mas foi mais real que as mentiras que me contaram para dormir, durante tanto tempo.
Imagino se tivesse tido mais um instantinho para fazer minhas intermináveis descobertas, sobre aquilo que a vida nova guarda ainda na gaveta do meu armário. Porque as coisas mais óbvias estão sempre debaixo do meu nariz e eu nunca consigo ver.
Não precisava ter ficado menos que fiquei, precisava?
Poderia ter voltado e ter chegado menos ou bem mais feliz do que fui.
Poderia ter adquirido as certezas que não sei se ainda posso vir a ter.

Não sei, esse é um tempo condicional demais para mim. Por todas as coisas que me aconteceram e, especialmente, pelas que não.

Ainda nego um coração teimoso, que não aquieta um segundo, e que ainda parece pulsar lembranças inesquecíveis para as quais voltei. E de onde quero ir embora, já.

Preciso voltar. Preciso reencontrar o que perdi ou o que não me deram tempo de achar.

16 maio, 2007

O que seria?

Do açucar sem o sal.
Do preto sem o branco.
Do sol sem a chuva.
Do sorriso sem a lágrima.
Do silêncio sem o som.
Da noite sem o dia.
Da vida sem a morte.
Das férias sem o trabalho.
Do cheiro sem o odor.
Da flor sem o espinho.
Do amor sem outro amor.

12 maio, 2007

La vie en Rose...

Paris é inesquecível, com suas ruas chiques e sua gente linda que cheira a suor com perfume francês. Não importa, ainda assim tudo é bonito demais pra uma simples mortal, como eu.

O Rio Sena parece uma veia em que pulsa o explendor e a magia da cidade luz. Foi a caminhar por suas margens que percebi como a gente é feliz e não entende. O quão pouco tempo temos para fazermos tudo e para ver o mundo.
E foi lá que escrevi, muito, e senti saudades.
Saudades do que fui e do que ainda quero ser.

E agora, em Portugal, fiz um pouso de emergência por problemas técnicos no vôo. Acho que meu anjo da guarda viajou comigo e mandou um recadinho pra Deus, dizendo que preciso de mais tempo. Para cuidar mais das pessoas que amo e de mim mesma.

Estou bem, como nunca estive.
Mas já é hora, mesmo, de voltar pra casa...

04 maio, 2007

...

Dormia, dormia...
Queria que o tempo passasse para chegar.
A estrada era longa, rodeada de verde e de ovelhas marrons.
A poltrona do ônibus parecia fria e pequena demais para as descobertas daquele caminho sinuoso.
O nariz escorria com os 15 graus ao meio dia.
Era a Espanha, a 1000 metros acima do nivel do mar.
E o tempo, que era para passar, parecia arrastar-se em cada milésimo de segundo.
Paris parecia estar longe. Era meio caminho de volta a Roma.
Inesquecivel Roma.

01 maio, 2007

Roma...

Fui assaltada em pleno Vaticano, mas somente perdi minha camera digital com 200 fotos lindas...

Quero esquecer, pq outras coisas maravilhosas estao acontecendo.

Agora estou em Nice, de vista para um cais cheio de iates.

Isso eh lindo demais pra mim...

Rumo a Barcelona

25 abril, 2007

ITALIANA, EU?

Estou em Veneza. Romantica e cheia de flores demais para alguém que veio de férias absolutamente solteira. Mas os passeios sao inesquecíveis. O estilo de vida, o sorriso das pessoas, o gellato na esquina, e o euro voando dos bolsos. Isso nao tem preço na minha vidinha onde nada de muito interessante acontece corriqueiramente.

O maior problema que tenho enfrentado são os italianos. Muito velozes e atentos, aproximam-se com muita facilidade. E conversam, como se eu entendesse. Esta tarde, depois de horas de argumentação balbuciando três linguas, fui salva pelo dono de uma cafeteria, que colocou um homem alto e lindo para correr, sob a ameaça de chamar a polícia. Mas o lindo era um mala, mesmo. E o outro, que me salvou, se tornou um amigo, desses que a gente sente saudades quando vai embora. Até chamei-o para minha festa de aniversário, num ristorante aconchegante, perto da Piazza de San Marcos. Amanha, o aniversario mais diferente da minha vida, comemorado por pessoas que nao sao as minhas, mas que ja sao bastante especiais por dividirem esse momento.

Também descobri coisas, desde Portugal.
Que a gente nao pode deixar o tempo nos consumir com coisas que nao fazem sentido.
Que europeus também são mal-educados e grosseiros, especialmente os portugueses.
Que há muitas brasileiras fazendo turismo sexual na Italia, a gente as vê aos montes e finge que não sabe falar a mesma lingua ou que não está entendendo nada.
Que ir a Fátima devolve espiritualidade a qualquer um.
Que estou engordando, mas saindo muito bem nas fotos.
Que sou feliz agora, e que tenho mais razões para ser depois desse momento bom.

Saudades das pessoinhas que eu quero bem, mas com vontade de permanecer nessa terra linda...
Nao tenho mais tempo, internet aqui custa muito. E meus euros falam, a todo tempo. Eles dizem ciao!

23 abril, 2007

Doçura

Eu, você, seu melhor amigo, todos nós - homens ou mulheres - temos um quê de abelha. Sabemos fabricar mel e, ao mesmo tempo, conservamos nossos ferrões escondidos. Talvez faça parte, mesmo, da natureza da gente.
Na verdade, a doçura é uma via de mão dupla. A gente dá e a gente quer receber. Se não for assim, bem, aí as abelhas podem mostrar o ferrão. Podem picar, até. Podem fugir, depois, para isentar-se da culpa.
Eu acho que estamos ficando acostumados demais com a falta de doçura. A frieza parece estar instalada no ambiente como se fosse um móvel de canto. A luta pelas conquistas, especialmente as materiais, influencia muito no nosso nível de doçura. Tudo é feito "para ontem", pois ninguém tem tempo a perder. Essa corrida me irrita, faz mostrar o meu ferrão. Sinto muito dizer, mas quem não herdar uma mega fortuna terá que trabalhar pelo menos vinte horas por dia para conquistar o mundo material dos sonhos. Então, como arranjar um tempo para preparar um jantar para a família, cantar uma música, conversar de mãos dadas ou olhar as estrelas? Talvez seja tempo de repensarmos nossos valores. Para sermos felizes, precisamos prestar mais atenção nos pequenos detalhes que tornam a vida mais doce. É como um casal de velhinhos que vi outro dia, num banquinho da beira-mar. Conversavam, sorriam, sempre gentis um com o outro. Possuiam algo muito precioso: uma doçura no olhar. Decidi que quero ser como eles. Ter a cabeça deles. Na verdade, agora é que eu entendi. Os cabelos brancos eram puro algodão doce.

15 abril, 2007

Passou...

Cadê você? Já se foi.
Sem avisar, e sem esperar um instante.
Por que você está sempre com tanta pressa?
Por que não ficou só mais um pouquinho?

Queria tanto que você voltasse...
Poderíamos ficar mais sem fazer nada.
Poderíamos fazer tudo a mais.

Há tanto que você não esperou que eu dissesse.
Há também tanto que você não me disse...

Foi tão rápido que, quando vi, você já era lembrança.

Prometo que, se você voltar, tudo vai ser diferente.
Aproveitarei melhor a sua presença.
Aprenderei mais com suas lições.
Preparar-me-ei melhor para sua ida inevitável.

Quero avisar-lhe que não o esquecerei.
Não o deixarei em paz.
Vou buscá-lo, onde você estiver.
Reviverei sua companhia.
E sei que encontrarei você.

E, frente a frente, talvez descubra o que não entendo.
Verei que você não se foi em vão.
Que você tinha mesmo que ir, em seu silêncio esclarecedor.
E que não o perdi, mas o eternizei.
Com a minha saudade que não passa
E com o desejo de tê-lo por mais alguns instantes.

Até, então, amigo tempo.
Se quiser voltar, estarei aqui.

12 abril, 2007

Em "transe"to

Dobrei na José Vilar, mas não era para dobrar. Fiz o balão, avançando uma preferencial. Peguei um engarrafamento só para conseguir chegar de novo na João Carvalho. No rádio, o pancadão da MC Perla me tirava o juízo. Tentei mudar e ouvi a voz da Samantha Marques. Desliguei. Segui em frente por mais dois minutinhos, só enquanto dava tempo de ficar no mundo da lua e ligar de novo o piloto automático, que é burro e não sabe o caminho. No sinal, o flanelinha jogou água no vidro e eu tive que dar meu último bombom serenata de amor porque não tinha moedas. O celular tocou na bolsa mas não consegui achar. Subi o canteiro e atravessei a Heráclito Graça. O povo buzinava atrás porque eu pensava a 40Km na faixa da esquerda. Peguei a Antônio Sales e respirei na faixa do meio. Achei o celular. A ligação perdida não era para ser esquecida. Retornei e ganhei o meu dia. Nem sabia mais para onde é que eu estava indo. Sei que desisti e voltei pra casa.

11 abril, 2007

Aninho novo

Meu amorzinho louro está mais velho...
Vejo junto das velinhas apagadas uma mulher corajosa, que não tem medo de desafios.
No contrasenso, uma menina doce, que chora de felicidade com um bip na caixa postal.
É nessa completude que ela é única, e por mim tão amada.

08 abril, 2007

sentidos

Ainda estou trabalhando sobre meu alfabeto. O cheiro daquela camisa não sai do meu estômago. Vejo minhas unhas de uma cor com gosto de melancia. A mão fria segurando o garfo faz barulho na minha cabeça. Meu hidratante 3d acabou e peguei um resfriado de tanto comer ovo de páscoa.

07 abril, 2007

a bisavó

Do longínquo passado para o presente, estava aqui a lembrar de Dona Raimunda dos Anjos. Aos noventa anos incompletos, minha bisavó é a mulher mais resistente que conheço. Visitei-a ainda esta manhã. Estava em seu quartinho dos fundos, encolhida numa rede rosa com seu vestido floral. Parecia cansada, com a vista cinzenta, mas ainda ensaiou uma risadinha quando fiz cócegas em seus pés número 35, exatamente do tamanho dos meus. Depois de horas de conversas sem sentido e de enchê-la de beijos, pedi que me abençoasse. Tão linda a bênção: Deus te leve em paz, e que te dê um bom rapaz. Tive vontade de pegá-la nos braços e beijá-la mais, trazer para tomar de conta por toda a vida. Amor de mãe, de vó, e de bisavó (quantos ainda podem dizer isso?) não tem tempo, nem preço, nem idade. É por isso que eu aproveito.